Peixe e peixinho! Beto e Marta

Era o que aparentemente acontecia nos movimentos musicais da época junto aos estudantes secundários e universitários que modulavam a musica com seus estudos e depois profissões.

Com o tempo alguns componentes da Caramuru se tornavam um empecilho para a evolução como baterista. As peles dos tambores, aqui de couro animal, nos EUA já eram produzidas em nylon com jatos de areia. Minha irmã providenciou um jogo de peles de nylon e um par de vassourinhas quando voltou do intercâmbio na Califórnia.

Pedais de hi-hat e bumbo foram comprados nacionais, mas mais modernos.

Os primeiros conjuntos que eu participei dali em diante eram autorais, isto é compunham suas próprias canções. Os principais: o “Avuelito Winter” que tocava música de vanguarda, o “Hermatopéia” com canções de MPB espelhadas nos trabalhos de Milton Nascimento, Elis, etc. Tocávamos em escolas, clubes e festivais de música. Depois um que não chegou a ter nome que tocava música instrumental inspirada nas obras de Gismonti e Wagner Tiso.

Meu batismo no Jazz foi tocar com a Swiss College Dixie Band. Tocando jazz Dixieland e também estilo Chicago. Naquela época a Swiss era composta por 8 músicos suiços sendo 2 professores da Escola Suiço Brasileira de SP. Eu passei a ser por muito tempo o “unico estrangeiro na banda”. Toquei na banda por 11 anos e foi a formação mais profissional que participei. Ensaios semanais muito produtivos, arranjos escritos, e dirigidos por Ueli Liechti, nosso trompetista e band leader, baseados nos arranjos das grandes bandas americanas. Foram anos de aprendizado de música, jazz e também de disciplina (suiça). Opus 2004, clubes, escolas, hotéis festivais da colônia suíça, Festival Internacional de jazz. Tocar com um grupo com metais, arranjo, … hummm! Foi para mim, como uma faculdade e um pós-graduação musical na bateria. A Swiss naquela época tinha como madrinha a Traditional Jazz Band o que também nos deu muito prestígio.

Nessa fase, pratos importados foram adicionados ao set-up da Caramuru. Indispensáveis para o jazz.

Quando terminei minha participação na Swiss, devido a mudanças nos compnemtes da banda e já morando em Tremembé, passei um bom tempo sem tocar.

Os filhos pequenos, distante do cenário do jazz que só existia no Rio ou em S. Paulo, a Caramuru guardada em São Paulo por anos.

Quem despertou de novo minha vontade de tocar, foi a Professora de música dos meus filhos, a D. Anita Guarnieri, educadora de música com fama internacional, que se aposentou em Tremembé. Ela dava aulas de iniciação para as crianças. Mantinha também uma bandinha de coreto com jovens carentes que aprendiam instrumentos de sopro com o prof. Jonas, do conservatório de Taubaté. D. Anita me convidou para tocar com eles. A vontade de tocar reapareceu imediatamente.

Conheci em Taubaté o Baterista e Percussionista Augusto Arid que chegara do RIo com um grande currículo musical nacional e Internacional. Através dele consegui me entrosar com os músicos da região. O próximo passo foi montar meu próprio trio, batizado por nossa amiga Regina Barton de Los Angeles em visita a Tremembé: “Bossa à Beça”: Guitarra, Contrabaixo e bateria.

A partir de 2003, o Bossa à Beça adquiriu formação que mantém até hoje: piano, teclado, baixo e bateria saindo a guitarra. Tocamos bossa nova e standards americanos. Mas a performance diletante sempre se torna limitada para que gosta muito de tocar. Paralelamente ao “Bossa” participo “ad-hoc” de mais algumas iniciativas musicais no Jazz de S. Paulo e até tocando como convidado na atual Swiss College Dixie Band que ainda existe, só que agora formadas por 7 brasileiros e um suíço. Este ainda do meu tempo.

Em todo esse período, me acompanhou a boa Caramuru.

Com o passar dos anos, as baterias tanto pop quanto de jazz passaram por uma evolução muito grande. Projetos acústicos feitos por computador mudaram radicalmente as dimensões e o material dos tambores quantidade de peças sejam tambores ou pratos. Uma bateria modelo dos anos 1950/60 como a minha Caramuru (caixa, tom tom e surdo, mais 2 pratos e hi-hat) tornou-se objeto de curiosidade. Uma bateria de configuração e dimensões estranhas.

Pesquisei na internet e praticamente inexiste informação sobre o destino da fábrica A. Rossetti. Nenhum exemplar existente.

Recentemente tocando em uma série de Jam Sessions de Jazz no Anhembi em São Paulo a conservação da Caramuru foi muito elogiada.

Localizei um dos recibos de compra que tinha na minha pasta de recordações para dele tirar o modelo do logotipo e notei que este ano a Caramuru ia completar 50 anos, o mesmo tempo da minha carreira de” baterista diletante”. Percebi que tinha uma bateria única que se mistura com a minha história de baterista. Mandei fazer um adesivo com o logo para o bumbo para que todos possam apreciar essa guerreira cinquentenária, cuja história agora vocês conhecem.

Aqui vou eu, outra vez!

José Roberto Rocco (joserocco@hotmail.com)

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