Do inferno ao Paraíso , que os belgas não gostaram.

Na região do Congo, o rei Leopoldo II transformou o extenso território da região do Congo em sua propriedade pessoal. No ano de 1908, o território congolês voltou a ser controlado pelo governo, recebendo o nome de Congo Belga.

O monarca belga, apesar de ser católico devoto, foi um facínora e crudelíssimo com os congoleses, muitos sendo mutilados e assassinados.

Em 1953 vários grupos de 12 pessoas chegaram ao Congo Belga, para fazer um estágio de um ano, plantando café. Sete anos depois, houve a Crise do Congo (1960-1966), marcada por um período de agitação durante o desenvolvimento da primeira República Democrática do Congo. Houve lutas anti-coloniais, conflitos tribais, uma guerra separatista. Esta crise medonha causou a morte de cerca de 100.000 pessoas. Os belgas tiveram que fugir, em 1961, perdendo tudo: terras, maquinários e plantações. Por isso o governo da Bélgica foi obrigado a procurar uma solução para 89.000 colonos . Uma dessas soluções foi a imigração para o Brasil, onde esses colonos deveriam formar uma cooperativa.

Soube-se que Fazenda Monte Alegre, em Botucatu, estava à venda. Esta fazenda tinha, 4.010 e chegou a ter um milhão de pés-de-café. Em sua área, havia padaria, oficina mecânica, posto de saúde e outras conveniências, como cinema e restaurante e um Laticínio, que que beneficiava leite e produzia seus derivados.Este Laticínio foi o primeiro no Brasil a fornecer leite em sacos plásticos O nome era Belco ( Bel de Bélgica e Co de Congo). Já dava para perceber que a maioria dos belgas não se adaptaria, visto que o nome do laticínio era Bel Co, de Congo, onde a vida tinha sido dificílima e eles ainda por cima perderam tudo. Não seria mais razoável, como muitos outros imigrantes, colocar o nome no negócio Bel Bra, de Brasil? Nesta época, lá moravam 120 famílias belgas mas, mais tarde, muitas famílias voltaram para a Bélgica.

Os sítios desses belgas ,que voltaram para seu país, foram comprados por brasileiros, que passaram a ser cooperados de uma nova Cooperativa, que cobrava taxas altíssimas. Na impossibilidade de pagar o cobrado, foram expulsos . Com pouca gente na fazenda e com a concorrência acirrada da Laticínios Paulista, a Cooperativa faliu. As terras da Fazenda Monte Alegre ficaram abandonadas por anos, com muitos problemas de invasão.

Há uma Associação de Moradores que trabalha, desde então, para a melhoria do bairro, onde moram 200 famílias. Quem luta por esse objetivo é uma “quase belga” ,pai belga casado com uma brasileira, enfermeira que trabalhava na Fazenda. Sempre se falou Português em casa. O pai fazia questão, apesar de falar um Português bem arrastado. Essa moça luta até hoje para que o Bairro Monte Alegre se recupere, e volte a ser florescente como antes, e ter serviços importantes, como posto de saúde, creches, posto policial e outros tantos. Ela teve uma ótima formação: estudou na escola da Fazenda até o 4º ano, foi para o Santa Marcelina , em Botucatu, até a 8ª série, indo depois para São Manuel, no Augusto Reis. Fez faculdade de Educação Física em Avaré, casou e teve filhos, hoje moças e um adolescente. Tem um lindo chalé em Monte Alegre, onde tomamos um chá delicioso de folha de amora e erva cidreira. Conversamos bastante, sobre História e relatos de seu pai, Alex M. Vaes. Priscila, com você, Monte Alegre não vai morrer!

Nomes curiosos da cultura belga, tão diferente da nossa :

Degay, Funck, Champion, Brun, Goffaux,Calicis, Brassine, Claes, Bienfait, Canivet,Gillet, Charlier

Referências:

A Imigração belga no Brasil/ Fazenda Monte Alegre |Narrado |www.pt.wikipedia.org/wiki/História_da_República_Democrática_do_Congo | A independência do Congo Belga – Mundo |O rei Leopoldo II da Bélgica e o holocausto negro no Congo’ – PCB | www.belgianclub.com.br/pt-br/imigração-dos-belgas-para-botucatu-sp | blogdodelmanto.blogspot.com/2015/01/historia-dos-belgas-de-botucatu-no.html

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