Palavra, Palavrão,
Palavrório, quero não!

Ouvi falar pela primeira vez de uma cantora moderna e gracinha, numa entrevista do programa da Marília Gabriela, que estava justamente entrevistando a Ludmilla. A entrevistadora confessava que , até um tempo atrás, nunca tinha ouvido falar dessa moça e de repente , as músicas, a vida e a presença dela apareceram, avassaladoramente, em todas as mídias! Que graça, que voz, que talento!

Há pouco tempo, com minha neta, ouvindo uma estação de rádio que só toca música, me reencontrei com Lud. Desta vez cantando uma música bem divertida, “Cheguei”, mas quando prestei atenção à letra , fiquei chocada: tinha palavrões horríveis, o que não acrescentava nem tirava a graça da letra, mas achei grosso demais. Desnecessário ! Lembrei-me de uma aluna de 6º séria de uma escola pública em que fiz estágio. Quando pedi a ela e a um grupinho da mesma classe para fazermos um trabalho, ela pôs a mão na cintura, chegou perto de mim e disse: ” Não vou fazer p***ra nenhuma, car*****o”!

Eu fiquei horrorizada e respondi: “ Que horror”!! E ela respondeu:” Aposto que a profe fala palavrão!!, no que eu respondi: “Falo sim, mas na minha casa e em jogo de futebol! “ Temos meio e lugar para falar o que queremos e como queremos! Aí eu soube que ela passava a tarde inteira com a mãe, que vendia bolo e café, naqueles tabuleiros grandes, na calçada, em frente ao portão de obras . Os fregueses eram pedreiros e serventes, que usavam um vocabulário específico. Aprendemos tudo na escola, na família, no trabalho e no ambiente social. Assim, vamos construindo nossa cultura.

Lembrei-me desse episódio, com aquela menina linda com a mão na cintura, quando ouvi a música da Ludmilla.

É ótimo usarmos uma linguagem moderna, que nos distingue tanto na cultura como na expressão do que somos , do que pensamos e do que fazemos. Assim é que nos comunicamos!

Daí, vi que a Ludmilla começou fazendo sucesso com as classes C,D e E, e foi migrando para as A e B. Até que um dia eu a ouvi cantar no rádio, a mesma música, só que as palavrões trocados : “p***ra” por “” “zorra” e “que se”f** por “que se exploda”. Aí sim, tocando nas rádios a mil. Milhões de pessoas ouvindo. Os funkeiros, cantores de hip hop , pop e tantos outros gêneros, cantem o que e como quiserem, se divirtam e divirtam muita gente, mas não acreditem na balela de que vocês, chocando as pessoas com trabalhos de baixo nível cultural, vão conseguir subir ao pódio do reconhecimento pessoal , que seria de morrer de orgulho!

Teve um tempo em que nas escolas públicas “nóis vai, nóis foi” era considerado correto, pois era a cultura daquele lugar. É um crime certos educadores aceitarem que essas crianças se nivelem por baixo, por razões políticas. Cultura tem que ser vivida e aprendida, do jeito mais completo que for possível e da forma mais enriquecedora que der .

Foi o que a Ludmilla percebeu: acertou os ponteiros com a linguagem, é ouvida por milhões de pessoas que reconhecem seu talento.

Que bom, essa menina talentosa vale ouro , prata e bronze!!

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