Há muito tempo, na faculdade de Desenho Industrial, o professor de Estética nos ensinou  um conceito muito diferente sobre Moda: a Moda não muda, o que muda é o nosso gosto. Como assim? O que mais muda são as coleções dos grandes e pequenos estilistas. Tudo tem sua moda:, carros, eletrônicos, música, decoração e até plantas: Schefflera, buquê de flores do campo, o proibido xaxim! E roupas então? Saia midi, enchimento nos ombros, calça baggy.

Até o léxico vai se transformando. O que dizer de palavras usadas ultimamente, como arcabouço, assustador, mitigar e tantas outras expressões como “passando por aqui”, “Partiu!” se juntando a expressões já usadas há tempos como “com certeza”, “faz parte” e tantas outras.

Mas o que mais me impressiona é o corte dos cabelos! O gosto muda lentamente, se não como a moda de cabelos curtos vira moda de cabelos compridos, da noite para dia? As meninas é que sabem como é penosa a espera para terem um cabelão!

Quer dizer, o gosto nos seus passos, a moda vai se transformando e nesse caminho muitas coisas acontecem: o avanço das tecnologias dos produtos de beleza, novas cores, texturas e um monte de itens e   maneiras diferentes de corte modernos.

A moda é também uma linguagem inquieta que se adapta  às grandes transformações do mundo, acompanhando também o comportamento. Pode ser perversa como os saltos finos e altíssimos, cintas para segurar as gordurinhas, tecidos que pinicam… Fazemos parte de grupos que tem seus próprios códigos que muitas vezes nos representam. Diga-me o que vestes, que eu te direi quem és!

Mas, na verdade, a moda é um grande agente da Economia, com muitas cadeias de produção que movimentam milhares de pessoas, trabalhos e muita, muita grana. E a nossa vaidade? Fica bem aparecida nessas idas e vindas . Adoramos certas roupas que nos favorecem e odiamos a “moda jovem”, invejamos a linda bolsa  Chanel e desprezamos as saias “midi”. Uma idosa de mini saia fica ridícula  mas se ela se  sentir bem, ótimo. Pouco importa se pensarem que ela está com Alzheimer. Mas não é bem assim. É certo que a idade nos isenta de muita críticas, opiniões contrárias não nos atingem. Tenho muitas amigas chiquérrimas, elegantes e lindas, que são alvo da minha admiração e dor-de-cotovelo, mas tantas e tantas vezes será que elas, como eu, não prefeririam  ficar com roupas bem larguinhas e macias , pantufas fofas e quentinhas, execradas pela dita Moda?

E no nosso mundo atual, onde a sustentabilidade é “O“ conceito, ficar mudando de guarda-roupa e assumir o que somos no nosso íntimo é “politicamente correto”? Será que a gente assume ?