
Maria Teresa C. R. Moreira
Sei o que preciso fazer. Ao menos, penso que sei. Não é esse o problema. A questão é
realmente fazer o que preciso. O que me impede? Que força é essa que me sabota?
Meu avô diria que é questão de disciplina. Porém essa é parte da resposta. Parte muito
superficial, devo dizer. Tipo ponta de iceberg. O que destrói titanics é o que está abaixo.
Por isso mergulho tanto. Busco esses tesouros. Preciso respirar!
Exercício diário e constante. Leio, rezo, exercito, cozinho, jogo, trabalho, convivo, sempre
“mergulhando”. Cansativo mas necessário. Meu jeito de não aceitar a sabotagem a qual fui
condicionada.
Há dias nos quais alcanço altos cumes. Há dias nos quais me arrasto. E tudo bem, sei que
é assim, é processo. Não existe o patamar a ser alcançado definitivamente. A vida é cíclica,
ainda bem.
Processo e relação, diria uma das minhas filhas. Com razão.
Há uma outra questão, admito. É difícil fazer o que custa. Quanto tendemos, eu e
quasetodomundo, a escapulir dos grandes esforços… Pra não ficar levantando pra mudar o
canal da TV, nos afundamos no sofá e usamos o controle remoto, grande invenção que
tornou flácidos nossos músculos. (A nova geração não entenderá , provavelmente, essa
referência. Mas tenho esperança.)
O horizonte é imenso. Assusta. Pra não sufocar, olho o passo a passo. E percebo que estou
caminhando quando olho pra trás. Só não fico olhando muito. Não está ali meu coração.
Está aqui, nesse hoje. Onde sou.
Agora, com licença, vou mergulhar em outras águas.
