
Maria Teresa C. R. Moreira
De repente, do nada, algo toca aquele ponto. Aquele, escondido no cantinho, conscientemente ignorado. Aquele que dói tanto que você olha pro outro lado e disfarça. Pensa que já até esqueceu, ou que fez as pazes e aceitou, tem a impressão de haver superado. Até esse de repente que toca ali e o sangue jorra. Incontrolável. Surpreendente.
Achou que estava no controle? Ledo engano. Ou você tinha era achado um novo jeito de colocar sob o tapete, ou o que acontece é que ainda está em processo. Não de negação, esperamos. Há processos exigentes, desafiadores, que realmente levam muito tempo.
Qual o gatilho, esse surpreendente lembrador do que não passou?
Pode ser algo do nada, aparentemente, mas sempre tem alguma relação, ainda que inconsciente, com a questão.
Não importa o gatilho, na verdade. Importa o que precisa ser trabalhado, isso sim. Talvez a montanha esteja tão grande que você se escondia atrás dela e achava que tinha sumido. Talvez. Pode, por outro lado, ser uma recaída normal no processo.
O que importa é que veio à tona e precisa ser endereçado. Para o quinto dos infernos, ou para o Nirvana. Pode -se escolher.
Foi o que me aconteceu hoje, sob um sol escaldante, pelas 15h. Quem diria? Não eu. Mas deflagrou, não vou fugir nem fingir. Olharei nos olhos e acharei a saída. Ou a entrada.
Questão de sobrevivência.
