Maior dentro do que fora. Outra esquina. Dobro à esquerda: mais surpresas. Um deserto de areia, uma galáxia, um coração pulsante, uma favela. Me perco entre vidas. Entre amores e rancores. Outra esquina. Estou sozinho? Quando cheguei, não estava. “Cadê Tereza, onde anda minha Tereza?” Assovio bem alto a canção de Jorge Ben Jor, mas minha Tereza não aparece. Perdeu-se também. Continuo. Outra esquina. Sempre maior dentro do que fora. Dobro à direita: sombras e reflexos sem pessoas. Uma violência, um gesto de gentileza, marcianos, planetas à venda. Alameda após alameda, me embrenho no tempo. Ontem-hoje-amanhã. Levo uma rasteira de mangá. Artes marciais, samurais, monges, poemas da China, do Japão. Guerra e paz. As paredes do labirinto estremecem. Paredes-estantes. Galerias-livros que sempre me perdem. Amor de perdição. Momentânea dissolução do ego. Hu-haa! Delícia ociosa, deliciosa… Sempre maiores dentro do que fora. Adoro me perceber desaparecer nas bibliotecas públicas de São Paulo.