Maria Teresa

Na terapia hoje, disse que percebo que ando com o peito alvoroçado. Atenta que é minha terapeuta, ela me ajudou a explorar o que estou sentindo e o que essa palavra expressa.

Não, não é um alvoroço de angústia. Tampouco de medo. Cheguei a pensar se há alguma ansiedade por trás do alvoroço, mas não me parece ser exatamente o caso.

Sinto um alvoroço bom, alegre, leve. Um alvoroço de criança que entra na loja de balas sabendo que a mãe a permitiu escolher quantas quisesse. Alvoroço de pátio de escola na hora do intervalo. Alvoroço de adolescentes que acabaram de encontrar com seu cantor preferido. Alvoroço de festa de aniversário das antigas, em casa. Talvez também, um alvoroço de água de rio depois de uma boa chuva.

É bom, é muito bom, mas é irrequieto. Não se assenta, não cala. É bom e tem seu lugar, mas não pode se instalar. Tenho também sede de silêncio, de contemplação, de profundo encontro comigo. Acho que foi esse o ponto que quis expressar.

É questão de equilíbrio. Que nem sei possível. Mas a gente tenta. Alvoroçadamente!