
Todo dia aparece algo diferente, como uma nova manchinha na mão. Não posso fazer nada quanto a essas novidades diárias, mas posso ter atitudes e fazer coisas boas para mim, viver “experiências”.
Agora tudo é “experiência”: visita à uma exposição, certos filmes no cinema, um sanduíche com quatro andares de hamburguer, uma festa. Mas fui tendo essas “experiências” já fazia um tempo: foi um processo de mudança, de auto conhecimento, sei lá o quê, mas que fui mudando, fui. Acrescentei posturas, gostos e conhecimento, até um tipo de aceitação do que sou, não do que eu imaginava ser. Percebi que todo dia que acordo, penso e vejo: estou mais velha! Essas mudanças , ou adaptações começaram no ano em que fiz setenta anos. Primeiro o miniliftig, depois a musculação e alongamento com as tais das endorfinas, meu aniversário , uma massagem que se chama “liberação”, um tipo de terapia manual.
E depois? Chamei uma “personal stylist”, consultora de estilo em Português bem claro. Conheci Mônica através podcast de uma amiga, e achei-a bonita e bem arrumada, sem ser emperiquitada. Pensei: “É ela!”! Contatei, chamei, ela veio. Foi demais! Passamos dias agradabilíssimos mas trabalhosos: experimentei todas as minhas roupas, trocando blusas e calças, , colocando écharpes e colares, encurtando vestidos, apertando saias. Fiquei chique! O mais bacana de mim apareceu. Antes eu só usava roupas…

Que mudanças! Que sacadas! Com minhas próprias roupas e acessórios do meu armário, aprendi a “conversar” como diria Mônica, com e entre peças, a fazer combinações praticamente infinitas. Me senti empoderada, colorida e importante. Pude me ver de fora para dentro, com leveza e prazer , sem vozinhas algozes que às vezes nos perseguem. Vi uma nova mulher idosa e moderna, inteira.
Me senti ótima por dentro e por fora e reparei que é isso que é ter setenta anos, não fingir que sente ter 30 ou 40, mesmo porque nessas idades não nos preocupávamos com o fator idade. Agora com 70 penso como um septuagenária chique, moderna, realizada e muito, muito modesta! Foi um ajuste fino. Enfim, estou contente, e me sinto, endorfinamente, feliz!
