
Outro dia encontrei uma amiga que me disse: ”Levei um pé na bunda!”]
Como?
“Meu marido pediu a separação, para minha total surpresa. Claro que não tínhamos um casamento perfeito, mas separação?”
Para consolá-la eu disse: “Pelo menos não foi sua escolha! Uma responsabilidade a menos!”
Depois fiquei matutando sobre esse pensamento.
Realmente escolhas podem ser dificílimas, mas não-escolhas… Vamos lá:
A gente não escolhe nossos filhos. Eles vêm até nós já programados e só o que nos resta fazer é aparar arestas e acrescentar algum volume. Só!
Não escolhemos sermos mandados embora do trabalho, assim como não é nossa escolha certos funcionários nos pedirem as contas. Não escolhemos passar dias e dias de chuva na praia, assim como palestras chatas, tendo que disfarçar os bocejos, visto que não podemos sair na metade… Não escolhemos receber as insuportáveis ligações de golpistas e como temos que fazer para aceitar certas atitudes impensáveis que temos, que nos escapam sem querer?
Ficar no trânsito, sentir sede, esperar o aparelho da academia vagar, ouvir desaforo de pessoas estressadas. Um amigo brinca que ele só fez uma única escolha na vida, que foi escolher sua mulher. Depois do casamento ele nunca mais fez nenhumazinha…
Mas, como sempre tem um mas, certas não-escolhas são uma bênção: a Morte. Dessa ninguém escapa, assim como da Vida. Não escolhemos nem mesmo onde nem quando nascemos! E, afinal não pedimos para nascer!