
Buba D’Avila
Estávamos descendo pela rua de paralelepípedos, dessas que ainda resistem em cidades grandes ensandecidas. Não, de metrópoles!. Bom lá vamos nós , lado a lado quando tropecei numa pedra solta. Pedra? Deixa prá lá .Eu ia te segurar, mas a manga enorme do seu vestido impediu que eu pegasse no seu braço. O tecido se enroscou na minha mão , Pergunta: rasgou o vestido ? Sim, sim .Você caiu e chorou. Por causa da queda ou pelo vestido? Deixa ser pelo vestido! Meu Miyake nunca mais… fica o vestido rasgado. Porra, nem amável posso ser! Tinha que rasgar o vestido da moça? Tem sempre alguém se metendo no andar da carruagem, sempre se achando! Voltando ao assunto paralelepípedo solto…Pra que estar solto, senhor do meu destino? É a construção do prédio do lado, estão batendo estacas. Estacas? Isso lá é assunto? É porque vai ser um daqueles que tem garagens imensas, com carregador de carro elétrico. Parece aquelas estrebarias antigas mas sem bosta. Ah, agora temos que mudar de assunto? Como ficou o caso do paralelepípedo solto, da queda e do vestido rasgado? Vestido não, um Miyake . Que seja, só chore, ninguém precisa saber porquê. Na hora que você quase caiu. Quase? Caí ou não caí? Você se escorou num murinho de pedra coberto por uma espécie de musgo… Que idílico! Não combina com o assunto prédio de milhões. Eu nem tenho como não obedecer, só se tiver uma ideia extraordinária, mas isso é impossível já que me fizeram cabeça oca. E eu, uma pessoa óbvia. Mas voltando ao paralelepípedo, pensei em te deixar cair…ideia própria? Jamais !, mas nós poderíamos, sim, ser apenas um casal andando de mãos dadas, com um sorriso acanhado, que na quase queda se segura firme e se beija selinho.! Seria bom? Sei lá! É a autora quem sabe.
