Por Marivia Sampaio

Falavas de tuas mágoas e dores,

Traduzias esses males em canto de tambores…

Cantavas as chibatadas e as correntes

Era tua voz que ecoava em meio às  noites,

Grandes companheiras a te ouvir…

O peito rasgado na desesperança e,

Teu coração pulsando por justiça!

Tentaram te calar, teimastes…

Os horrores teciam canções das almas

Apedrejadas e humilhadas…

Lágrimas nos tambores,

Teu desabafo  cantado e tocado

Liberava teu espírito,  que,

Mesmo acorrentado,  sempre foi livre!

Ouço tua voz e teu cantar no

Fundo do meu coração,

Minha ancestralidade acende a chama

E me chama para te ouvir,

Ouvir teus sentimentos,

Tuas dores, teus amores desfeitos

Na bainha de malditos facões…

Calaram tuas vozes,

Silenciaram tua história,

Calou-se teu espirito ali, naqueles onde te acorrentaram!

Não! Não te calarão mais!

És a força do sangue ancestral

Que corre em nossas veias

És a música tocada nos corações,

Nos tambores que ecoam

E rompem os silêncios …

E trazem à vida os silenciados!