Maria Teresa C. R. Moreira

Quanto mais vejo, mais enxergo. Os anos me trazem isso, mesmo quando trazem também cataratas e presbiopia. Parece contraditório, mas às vezes penso que pode ser proporcional. Não sempre.

O que me faz refletir também no quanto será que eu enxergava ontem, quando achava que estava vendo tanto mas ainda não havia visto o que vi hoje, e que me faz enxergar além.

Mania besta a nossa, achar que sempre o que vemos é o que existe, do jeitinho que vemos. Passamos por tolos diante dos que vêm o que não enxergamos -mas que também não vêm tantas outras coisas que enxergamos nós.

Somos assim, gente que vê em parte, dependendo sempre de onde vemos, como vemos, com que história e bagagem enxergamos.

O que não deveríamos, nunca, é crer que só nós enxergamos as coisas da maneira correta e verdadeira e única que deve ser considerada. Jamais.

Esse é um tema recorrente aqui em meus pensamentos, visto que já estive na posição de quem passou a ver algo crendo ter visto tudo. Fico atenta para ouvir o que vêm outros, para estar aberta para o que mostram outros, sem deixar de ficar firme, ao mesmo tempo, ao meu olhar que é único e que é meu e que ninguém pode forçar a ver de outro jeito que não seja esse meu.

Confuso isso?!

Não é como vejo!