por Maria Teresa

Hoje estou triste. Não disfarço. Não tenho vergonha de ser eu, com todos os altos e baixos que me formam. Abraço-me.

A tristeza sempre me ronda. Não se instala porque não permito.

Em meio a novecentos e noventa e sete mil motivos para me alegrar, há essa dor constante e intirável, profunda e ressecante, por onde a tristeza entra. E eu deixo, vez por outra. Tenho que encarar também a dor. Não quero fingir. Ela me humaniza.

Talvez seja meu coração de poeta, meu olhar de poesia. Talvez. De toda forma, minha natureza não encontra lugar. Quando pensa que encontra, esfumaça-se. Sinto incabível saudade do que poderia ser e não é. Mas que sei que poderia, e isso é o pior.

Vivo esturricantemente sedenta.

Essa é a brecha por onde entra a tristeza. Hoje, especialmente triste porque cheguei a avistar oásis. Até lhe senti o cheiro. Mas é inalcançável. Estou triste de tanta sede. Sabendo que não serei saciada. Ao menos não aqui.

(Mas, afinal, haverá alguém realmente saciado…?!)

Amanhã é outro dia. Voltarei o foco às novecentas e noventa e sete mil razões para me alegrar.

Hoje estou triste.