
Parque Chichibu Hitsujiyama. Tapete de flores “shibazakura”, que quer dizer sakura rasteira. Sakura é a cerejeira, árvore mais famosa do Japão.
Conversa peculiar não tem pé nem cabeça! A gente vai tentando entender a voz baixa, as palavras misturadas de português e japonês, lembranças da infância, do primeiro trabalho nessa nova pátria!
Yoshio chegou ao Brasil, sozinho, em 1957. Em São Paulo morou no Bixiga, na r. Almirante Marques de Leão, uma ladeira íngreme, na pensão da D.Lucrécia, que dividia seu comércio com todo o tipo de pequenos serviços, como sapateiros, lavadeiras, barbeiros, alfaiates, seresteiros, jogadores de futebol, e um sem número de profissionais , que deixaram, no bairro, memórias e histórias inesquecíveis. Nessa época de adaptação, estudou Português e Cultura Brasileira com o Professor Soares Pessoa, com quem adquiriu conhecimentos que o ajudariam a se ajustar e a progredir nas atividades que exerceu na sua vida aqui, no Brasil.
Já aclimatado ao ambiente tropical e à cultura nacional, foi para Bauru onde , nessa época, a colônia japonesa era bem estabelecida , sendo que o Consulado Japonês já estava instalado lá desde 1927.
Yoshio tinha sido contratado , previamente, para trabalhar na cultura do bicho-da-seda, pelo senhor Takeda, na Colônia Fuji . Na região de Bauru havia muitas fazendas desta criação que era também uma região de plantação de café, porque as duas culturas se desenvolvem em clima quente, áreas altas, pouca umidade, e mão- de-obra familiar.
Depois de um período, Yoshio voltou para São Paulo, continuando a trabalhar para a Colonia Fuji, agora no escritório, na r. Senador Feijó . Este trabalho o capacitou para trabalhar , futuramente, como desenhista mecânico em várias firmas de maquinaria mecânica e elétrica.
Em 1975, volta ao Japão para visitar sua mãe, na cidade de Saitama, que faz parte de Tóquio.
Saitama Moderna Saitama Antiga
Esta região sempre foi conhecida como uma área importante de agricultura, produtora grande de parte dos alimentos da região de Kanto. Após a Segunda Guerra , Saitama se desenvolveu rapidamente porque o transporte antigo permitia longas viagens, o que serviu muito bem a Tóquio, que tinha poucas terras.
Com a morte da mãe , após 6 meses ,Yoshio volta para o Brasil,e continua seu trabalho, agora como intermediador de compra e venda de maquinaria.
Aposentado, continua ativo em seus contatos, suas idas ao Poupatempo, usar o computador e, para essas atividades, pega o metrô quase todos os dias, onde eu tive a alegria de conhecê-lo.
E a medalha? Para mim continua um mistério!
Ao final de nosso encontro, quis acompanhá-lo até o vagão. Ele não queria entrar em nenhum, mesmo nos mais vazios. Nos sentamos nas cadeiras azuis, ficamos lá quietos, lado a lado, como velhos amigos. Tentei entrar em um vagão, mas ele, gentilmente, pediu que eu ficasse ali com ele, esperando. Fiquei. Até que ele se decidiu , finalmente, ir para casa…