{"id":3526,"date":"2025-04-20T14:16:27","date_gmt":"2025-04-20T14:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/?p=3526"},"modified":"2025-04-20T14:16:31","modified_gmt":"2025-04-20T14:16:31","slug":"sobre-leis-desejos-e-a-danca-do-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/sobre-leis-desejos-e-a-danca-do-invisivel\/","title":{"rendered":"Sobre Leis, Desejos e a Dan\u00e7a do Invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Mar\u00edlia Abreu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aleister Crowley ecoou uma senten\u00e7a que atravessou d\u00e9cadas como um raio em c\u00e9u nublado: &#8220;Fa\u00e7a o que tu queres, que \u00e9 da lei&#8221;. A frase, em sua origem, carregava a complexidade de quem falava de Vontade com V mai\u00fasculo \u2014 n\u00e3o o capricho do Ego, mas a pulsa\u00e7\u00e3o do Thelema, o prop\u00f3sito c\u00f3smico entranhado na alma. Mas eis o paradoxo: o que nasce como um chamado \u00e0 transcend\u00eancia \u00e9 facilmente sequestrado pela miopia do humano comum. Transforma-se em justificativa para um hedonismo raso, onde a magia vira ferramenta de domina\u00e7\u00e3o, o espiritual torna-se servo, e o &#8220;mago&#8221; se enxerga como tirano de um universo que, supostamente, deveria curvar-se a seus desejos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, a Wicca entra com um sopro de contradi\u00e7\u00e3o \u2014 ou seria de lembran\u00e7a? Porque n\u00e3o se trata de negar o poder individual, mas de reposicion\u00e1-lo na teia do todo. Na vis\u00e3o eudaim\u00f4nica, a magia n\u00e3o \u00e9 uma varinha m\u00e1gica para satisfazer \u00e2nsias passageiras. \u00c9 consequ\u00eancia natural de quem se alinhou ao pr\u00f3prio &#8220;ethos&#8221; da alma, \u00e0quilo que vibra em sintonia com os ciclos da Terra, das esta\u00e7\u00f5es, dos Deuses Antigos. Quando voc\u00ea dan\u00e7a com o mundo invis\u00edvel, em vez de tentar comand\u00e1-lo, o poder flui&nbsp;<strong>atrav\u00e9s,<\/strong>&nbsp;n\u00e3o&nbsp;<strong>a partir<\/strong>&nbsp;de voc\u00ea.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 radical. Enquanto uma perspectiva distorcida do &#8220;Fa\u00e7a o que tu queres&#8221; infla o Ego como um bal\u00e3o prestes a estourar, a vis\u00e3o wiccana dissolve fronteiras: voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um deus isolado, mas parte de um organismo sagrado. A magia deixa de ser um mecanicismo de causa e efeito \u2014 &#8220;eu invoco, logo recebo&#8221; \u2014 e se torna linguagem de relacionamento. Como um rio que segue seu curso n\u00e3o por obriga\u00e7\u00e3o, mas porque \u00e9 seu curso.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um pre\u00e7o em ambas as vias. A primeira, a do Ego triunfante, cobra juros alt\u00edssimos: solid\u00e3o espiritual, a ilus\u00e3o de controle, e uma fome que nunca se sacia. A segunda exige entrega \u2014 abrir m\u00e3o da fantasia de que somos entidades separadas, donas do jogo. Na Wicca, o poder n\u00e3o est\u00e1 em dobrar a realidade ao seu querer, mas em ouvir o murm\u00fario da alma (sua e do mundo) e responder. A magia acontece porque voc\u00ea se tornou canal, n\u00e3o porque for\u00e7ou a fechadura.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Crowley, \u00e9 claro, falava de um &#8220;querer&#8221; al\u00e9m do eu pequeno. Mas quantos realmente mergulham nas profundezas para encontr\u00e1-lo? A Wicca, por outro lado, j\u00e1 nasce amarrada a um axioma: &#8220;Desde que n\u00e3o prejudique ningu\u00e9m, fa\u00e7a o que desejar&#8221;. Note a nuance \u2014 n\u00e3o \u00e9 sobre &#8220;fa\u00e7a qualquer coisa&#8221;, mas sobre agir a partir de um lugar que reconhece o sagrado no outro, na teia, no equil\u00edbrio. A magia, aqui, \u00e9 colheita plantada em solo \u00e9tico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, talvez tudo se resuma a uma pergunta: voc\u00ea quer ser um autor ou um coautor do mist\u00e9rio? O hedonismo m\u00e1gico promete o primeiro, mas \u00e9 na humildade do segundo que a alma encontra seu ritmo \u2014 e o universo, afinal, sempre dan\u00e7ou em c\u00edrculos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1742304486175-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3527\" style=\"width:223px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1742304486175-1024x1024.png 1024w, https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1742304486175-300x300.png 300w, https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1742304486175-150x150.png 150w, https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1742304486175-768x768.png 768w, https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1742304486175-60x60.png 60w, https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1742304486175.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00edlia Abreu Aleister Crowley ecoou uma senten\u00e7a que atravessou d\u00e9cadas como um raio em c\u00e9u nublado: &#8220;Fa\u00e7a o que tu queres, que \u00e9 da lei&#8221;. &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3515,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[355],"tags":[],"class_list":["post-3526","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marilia-abreu","latest_post"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3526"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3528,"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3526\/revisions\/3528"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quasepedagogico.com.br\/site2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}