por Maria Teresa

Tenho um galo na cabeça. Coisa recente. Ele insiste em não deixar-me esquecê-lo. Coça, lateja, pinica, emudece, volta a dar sinais de vida. Quem olha e realmente me vê, o percebe. Mas é discreto.

Não é um galo redondinho, como outros que já consegui. Este é um tipo retangular. Original, criativo, provocativo. Talvez se chame Ivo. Mas é apenas uma conjectura rimática.

Fato é que me deixa dormir bem, por sorte. Não chama tanta atenção de dia, tampouco. Um galo que vale a pena.

Adquirido de surpresa numa noite em que não acendi a luz, desconheço quanto tempo durará. Devo aproveitar ao máximo a experiência enquanto é possível. Nunca se sabe o que o amanhã nos reserva.

O que significa ter um galo à essa altura da vida, adquirido na Alemanha?! Pergunto-me intrigada. Não alcancei resposta. Ainda.

Um ainda que se soma a outros tantos que insistem em manter as janelas abertas. Ainda bem.

Enquanto isso, voo para a casa que não é minha. Onde há galinhas e outros galos, bem distintos do meu. Sei que não são e nem serão compatíveis. Não me importo.

O horizonte é quase infinito, e eu estou pronta para mergulhar!