Este anjinho da foto, participou de uma festa de Nossa Senhora de Fátima, em Macapá, AP, em 1961.

Outro dia , recebi pelo meu WhatsApp, uma fotografia mais bonitinha de uma amiga minha. Era um anjinho, daqueles de procissão, com asas e tudo! Essas procissões são muito comuns no Brasil e já em 1583, na Bahia, se viam os anjinhos nas procissões.

Achei, também, essa foto de minha mãe, de 1934, , aqui em São Paulo.

Na fazenda da minha avó, todo ano, tinha festa na igreja consagrada a São Vicente, padroeiro da fazenda, em homenagem ao meu bisavô. Essas festas eram muito gostosas : tinha quermesse com pão e churrasco, taubaína gelada, barraquinhas de pescaria, de tiro ao alvo e de argolas, todas enfeitadas com bandeirinhas e fitas coloridas de papel de seda. Mas o que eu mais esperava, com o coração batendo, era a procissão dos anjos. Era linda! O caminho começava na igrejinha da antiga colônia, onde havia morado a Tica, tia do Tonico e do Tinoco, quanta honra! Subindo uma ladeira , duas fileiras de crianças pequenas, vestidas de túnica branca, de cetim ou de algodão e, a coisa mais linda do mundo, asas grandes, abertas, feitas de penas brancas de gansos e, às vezes, de galinha, bem lavadas e eriçadas, que davam o volume necessário para se chegar ao céu! Também usavam uma coroa de flores de papel crepom, boleadas e enroladas , formando lindas folhas de pétalas.

À frente , um andor com São Vicente , um com Nossa Senhora Aparecida, e um com São Benedito. Eram carregados por fiéis, logo atrás do padre, que cantava e espalhava incenso pelo caminho.

O andor era uma obra de arte. Todo forrado com essas flores de papel crepom, que davam um colorido festivo e alegre e fitas,também coloridas , de comprimentos diversos.

Eu ia atrás desse cortejo, sem túnica ou coroa de flores e muito menos com as asas de plumas, sujando minha botinha branca na terra roxa do caminho! Não entendo porque eu nunca fiz parte dessa procissão. Por que nunca me convidaram? Algum tempo depois, perguntei à minha mãe:

“ Por quê ?”

“Ora, porque você nunca pediu!”

Mas o real o motivo pelo qual as crianças iam caminhando lentamente pela estrada, em procissão, era porque estavam pagando uma promessa nesse dia em que o espírito religioso estava à toda . Chegando ao altar da igreja principal, elas depositavam suas roupas, agradecendo ao Senhor a sua saúde.

Alguns desses “anjos” se encontraram na semana passada. Foi muito bom! Conversamos , tomamos suco, falamos da vida, dos filhos e dos netos.

Lembramos da fazenda, de nossos pais e do cheiro da colheita do café.

Daqueles anjinhos da procissão, ficou tudo, menos as asas!

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