O Beto resolveu contar a sua historia, bonita e…sonora! Esta é a primeira parte. A continuação vem na quarta que vem. Esta é a primeira parte.
Há 50 anos eu ganhei de meus pais, um presente de natal que mudou a minha vida: uma “Bateria Profissional” da marca Caramuru. Aos treze anos, terminando o 2o. ano do ginásio, ganhei o objeto dos meus sonhos.
Um ano antes vi o conjunto Loupha tocando rock and roll em Ilhabela, desde então queria ser baterista. Procurei uma escola perto de casa em Santo Amaro e fui à luta. Aprender bateria sem poder treinar não é fácil. Mas o pouco que mostrei na festa de fim de ano do colégio convenceu meu pai que eu já levava jeito.
A Caramuru era uma cópia fiel de uma bateria de jazz americana da época. , inclusive com a decoração dos tambores com “filme de celuloide” uma espécie de madrepérola. Com uma bateria poderia finalmente me matricular no ano seguinte, no curso do professor Chumbinho, apelido do baterista João Rodrigues Ariza, indicado pelo meu colega Marcos Pochon cuja aula de bateria já tinha assistido antes.
A “Escola Caio Gomes de Música Popular Brasileira” ficava em um sobrado na Rua Dr. Melo Alves, nos Jardins. Aulas eram de piano e bateria. A sala de aulas de bateria era logo na entrada, toda forrada de Eucatex, à prova de som. O método, escrito pelo próprio Chumbinho, ensinava a execução tanto dos ritmos mais populares da atualidade bossa nova, rock, samba, fox, bolero, baião, etc. mesclando com exercícios da “técnica baterística”, os rudimentos, “paradidles” e alguns exercícios para permitir as “viradas”. Tudo “por música”
Como eu me empenhava bastante, no começo dedicava todo meu tempo livre e mais um pouco com o treino na bateria, em poucos meses fui convidado para os “ensaios de conjunto” aos sábados. Tocávamos basicamente bossa nova e standards americanos. Cada aluno baterista que estivesse tocando com desenvoltura teria um pianista para ensaiar em conjunto, tudo sob orientação dos respectivos professores, e com vistas à famosa audição de formatura.
O meu pianista era o Edgard Casciano, 4 anos mais velho, naquela época uma diferença grande. Depois de um tempo, como tinha piano em casa, passamos o ensaio para lá. Conheci nos ensaios também a Tina, que fazia dupla com outro aluno, mas que sabendo do meu interesse, começou a me levar às apresentações que participava. Naquele tempo, desfiles de modas, festas em clubes e festinhas eram movidas a música ao vivo. Mesmo sendo menor de idade, comecei então a frequentar ambientes de adultos. Ou para tocar ou para ouvir os músicos, fosse no “Avenida Danças” que tinha um ótimo conjunto, um clube de danças de universitários próximo ao Mackenzie e até os locais onde tocava o Chumbinho á noite. Naquele tempo, nos locais elegantes, os músicos tocavam de smoking e eu só poderia comparecer para assistir trajando blazer e gravata… Aliás pratiquei algumas vezes a compra de ingressos baratos de quem comparecia para assistir shows de jazz no Teatro Municipal sem estar de paletó e gravata. Naquele tempo, no Municipal só se entrava trajado adequadamente. Tive a oportunidade de lá ver e ouvir os grande mestres Duke Ellington, Oscar Peterson, Earl Hines entre outros. Toquei também na TV para divulgar a escola de música, nos memoráveis “Almoço com as Estrelas” com Ayrton e Lolita Rodrigues e no “Xenia e Você”, programas de variedades.
Chegou o fim do curso e com ele a audição de formatura. No Teatro da Liga das Senhoras Católicas onde hoje é o prédio do grupo Sílvio Santos na Brigadeiro. Muita emoção, meu primeiro solo de bateria em público, recebi uma placa, “honor alit artes” de destaque como aluno.
A partir desse dia, continuei meus estudos sozinho, com livros importados indicados pelo Chumbinho. Aliás por insistente orientação dele, nunca tive o objetivo de ser músico profissional. Queria aproveitar os momentos de tempo livre para a música e seguir outra profissão. Aliás era o que aparentemente acontecia nos movimentos musicais da época junto aos estudantes secundários e universitários que ….. a musica com seus estudos e depois profissões.
Por Beto Rocco

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