Parece que vivo ofendendo as pessoas e , talvez, sendo ofendida da mesma maneira. Só não sei quem vem primeiro: quem ofende ou o ofendido. O ovo ou a galinha? Afinal, não sou gema nem tenho penas para explicar o caminho de um para outro ponto, onde se acomodam os sentimentos humanos, sempre tão delicados.

Sou de falar alto e às vezes, ai! que vergonha, até grito! Isso é feio e desagradável, até constrangedor. Dá margem a você perder a razão, o que é falso ! O que vale é o conteúdo, e a mídia, ora, é só um meio de comunicação. Tanto faz a forma!

Mesmo me conhecendo há mais de trinta anos, algumas pessoas próximas se ofendem com meia dúzia de decibéis a mais! Acham que estou gritando com elas! Se não distinguem a altura da voz do teor da conversa, é porque não estão prestando a mínima atenção na prosa . Quer dizer, quem vai se ofender agora sou eu !

Um amigo querido, muito chegado e inteligentíssimo, bufa de raiva se a gente não entende quando ele fala aqueles assuntos superdifíceis. Dou risada. Sei que ele é muito mais inteligente do que eu, mas eu sou infinitamente mais compreensiva. Sempre seremos amigos, só somos diferentes.

Somos bacanas, porém santos e pecadores. Humanos, parecemos ser o que não somos, mentimos para nós mesmos e para os outros. Acreditamos e duvidamos. Infelizmente nossos julgamentos são muito parciais, o que, no mínimo, nos leva aos mais perversos erros e não deveríamos ter o direito de machucar os outros.

Falsear uma impressão é mesquinho e mau. Pode ser até falta grave ou transgressão. A pessoa ofendida se sente magoada, e muitas vezes, perplexa. A que ofendeu, perplexa e muitas vezes, ofendida.

Quem é o ovo, quem é a galinha?

Quando somos a gema , quando somos a pena?

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